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Agentes da OpenAI ligam colesterol a pistas sobre síndrome de Perry

Quase 2 mil agentes analisaram dados de células de camundongos em 32 minutos. As hipóteses sobre colesterol ainda precisam ser testadas.

Por Publicado pelo Oossa: 2 min de leitura

BUDDHI Kumar SHRESTHA · Unsplash

Uma equipe da OpenAI, da empresa de biotecnologia PerturbAI e do instituto Scripps Research usou quase 2 mil agentes de IA para analisar dados de cerca de 8 milhões de células cerebrais de camundongos. Em 32 minutos, o sistema apontou uma possível ligação entre o metabolismo do colesterol e a síndrome de Perry, uma doença rara com sintomas parecidos com os do Parkinson.

Os agentes usaram o GPT-Rosalind, modelo da OpenAI voltado à biologia e ao desenvolvimento de medicamentos. Eles analisaram resultados de experimentos genéticos já realizados e buscaram estudos científicos que pudessem ajudar a interpretá-los. Portanto, os 32 minutos se referem à análise dos dados, não à realização de novos experimentos.

O que os agentes encontraram?

Uma das pistas envolve o gene DCTN1, associado à síndrome de Perry. Nos dados de células de camundongos, interromper a atividade desse gene aumentou a atividade de outros genes ligados à produção de colesterol. Os agentes relacionaram esse resultado a pesquisas anteriores sobre problemas no transporte de colesterol dentro das células.

A hipótese é que alterações na distribuição do colesterol possam contribuir para a degeneração de neurônios. Os pesquisadores querem investigar se restaurar o transporte da substância protegeria essas células, mas o estudo não demonstrou que isso funcione como tratamento.

O sistema também apontou efeitos diferentes para os genes Tsc1 e Tsc2, ligados à esclerose tuberosa. Alterar o Tsc2 afetou dezenas de genes associados à comunicação entre neurônios do cerebelo; a alteração do Tsc1 teve efeitos menores nos mesmos dados.

O que ainda falta comprovar?

Em uma comparação descrita pelos pesquisadores, especialistas avaliaram relatórios sem saber qual método os havia produzido e preferiram os relatórios dos agentes distribuídos em 75% das comparações. Na maior carga de trabalho testada, um único agente citou 11 referências científicas, enquanto o sistema distribuído reuniu mais de 700.

O estudo foi disponibilizado no bioRxiv em 16 de outubro e ainda não passou por revisão independente. Como a análise usou dados de camundongos, as pistas sobre colesterol e doenças neurodegenerativas precisam de novos experimentos antes de qualquer aplicação médica.

Por que importa

Para pesquisadores que estudam doenças neurológicas, a abordagem pode ajudar a filtrar grandes conjuntos de dados e escolher hipóteses para testar. Para pessoas com Parkinson ou síndrome de Perry, porém, ainda não há tratamento demonstrado: as pistas vêm de células de camundongos e precisam ser confirmadas em novos experimentos.

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