A Internet Watch Foundation (IWF), organização britânica de proteção infantil, identificou 6.310 imagens estáticas de abuso sexual infantil geradas por inteligência artificial nos primeiros seis meses de 2026. O número é 40% maior que as 4.512 imagens registradas ao longo de todo o ano de 2025.
A preocupação não se limita a imagens criadas do zero. Ferramentas de IA também podem manipular fotos reais de crianças publicadas na internet. Por isso, a IWF e a National Crime Agency (NCA), do Reino Unido, recomendam que pais e responsáveis revisem quem pode ver fotos dos filhos nas redes sociais e considerem compartilhá-las apenas em grupos restritos.
Também é possível revisar imagens antigas e as autorizações dadas a escolas, clubes e outras instituições para publicar fotografias. Entre os casos em que foi possível identificar idade e gênero, meninas apareciam em 98% das imagens analisadas pela IWF; 79% mostravam crianças de sete a 13 anos.
Relatos e limites da detecção
O serviço Report Remove, que ajuda jovens a impedir a circulação de imagens íntimas, recebeu 420 relatos neste ano de menores que acreditavam que suas fotos tinham sido falsificadas ou manipuladas para parecer explícitas. Segundo o Guardian, o total já passou os 397 registros de todo o ano anterior.
A identificação também tem um limite técnico: sistemas que comparam a “impressão digital” de arquivos podem localizar cópias conhecidas, mas imagens inéditas precisam ser encontradas e classificadas antes de serem incluídas nessas bases.
Leis brasileiras incluem conteúdo feito por IA
No Brasil, o ECA Digital entrou em vigor em 17 de março de 2026 e estabeleceu obrigações para prevenir e reduzir riscos em serviços digitais usados por crianças e adolescentes. Em agosto, a Lei nº 15.487/2026 passou a incluir no Estatuto da Criança e do Adolescente materiais de violência sexual produzidos ou manipulados digitalmente, mesmo quando a representação é fictícia.
A nova lei também prevê responsabilização de provedores envolvidos nesses ambientes e criou a chamada “ronda virtual”, que permite às autoridades rastrear arquivos em espaços digitais públicos. O texto não detalha como essas medidas serão aplicadas a cada ferramenta ou caso.
Por que importa
Para famílias que compartilham fotos de crianças, a recomendação prática é revisar as configurações de privacidade e limitar quem pode acessar as imagens. Isso reduz a exposição pública, mas não garante que fotos já vistas ou copiadas não sejam manipuladas; a fonte não informa como medir esse risco para cada publicação.