O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma investigação sobre a exposição de dados do Smart Sampa, sistema de monitoramento da Prefeitura. Uma reportagem do UOL informou que dados capazes de permitir acesso a mais de 58 mil câmeras ficaram disponíveis em um repositório público por aproximadamente 11 meses.
Segundo o UOL, entre os arquivos havia 181 logins e senhas de usuários autorizados e informações sobre mais de 6 mil agentes de segurança. A reportagem afirma que usou os dados para acessar imagens de ruas, escolas, creches, hospitais e outros locais. Também conseguiu entrar na plataforma da Sentinelx, fornecedora da tecnologia, e consultar nomes, CPFs, placas de veículos e boletins de ocorrência. O teste relatado não exigia autenticação em duas etapas.
O que se sabe sobre o acesso
A reportagem também relatou fragilidades que, segundo um especialista ouvido pelo UOL, poderiam permitir a inclusão de registros falsos de reconhecimento facial e leitura de placas. Não há confirmação de que alguém tenha explorado essa possibilidade ou usado as credenciais para fins criminosos.
Após ser questionada, a Prefeitura retirou os dados do ar e afastou um servidor, que passou a ser investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana. A administração nega falhas nos mecanismos de segurança e diz que o vazamento decorreu da conduta do funcionário. Também contesta que o repositório contivesse senhas e afirma que não houve uso indevido da plataforma.
A Prefeitura diz ter adotado senhas individuais, autenticação em dois fatores e códigos por SMS para criar novas senhas. A abertura da investigação do MP-SP não determina quem é responsável. A Sentinelx não se manifestou, segundo o UOL.
Contrato e fiscalização
O contrato do Smart Sampa foi firmado em 2023 com o Consórcio Smart City SP, por R$ 588 milhões e prazo de cinco anos. A Prefeitura informou ao UOL, em resposta a um pedido pela Lei de Acesso à Informação, que não tem acesso ao código-fonte, aos modelos de IA nem aos dados usados para treiná-los. Também disse que não faz auditorias independentes desses modelos.
Por que importa
Para moradores de São Paulo, o caso envolve imagens de locais como escolas e hospitais e dados consultáveis na plataforma, segundo a reportagem. Isso mostra um risco possível de acesso não autorizado, mas não há confirmação de uso criminoso; a investigação ainda precisa esclarecer responsabilidades e se houve exploração dos dados.