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The New York Times processa o navegador Brave nos EUA

A ação acusa o Brave de liberar textos para não assinantes e fornecer conteúdo a ferramentas de IA. O jornal estima receitas de US$ 100 milhões.

Por Publicado pelo Oossa: 2 min de leitura

QingYu · Unsplash

Um grupo de veículos de imprensa liderado pelo The New York Times processou o navegador Brave nos Estados Unidos. A ação alega que o serviço libera, sem autorização, artigos protegidos por assinatura e usa esse material para alimentar ferramentas de inteligência artificial.

Segundo a estimativa apresentada pelo jornal, o conteúdo protegido por direitos autorais teria gerado US$ 100 milhões em receitas para o Brave — cerca de R$ 500 milhões em conversão direta. O NYT acusa a empresa de copiar e revender o trabalho das editoras sem permissão ou pagamento. Esses valores e acusações são alegações da ação, não uma decisão da Justiça.

O recurso questionado permite acessar textos exclusivos para assinantes em alguns sites. O Canaltech não informa quais publicações são afetadas, como o recurso funciona ou quais medidas os autores da ação pedem ao tribunal.

A API também está em questão

A ação também aponta para a API do Brave, uma ferramenta que permite a outras empresas acessar dados e serviços do navegador. De acordo com o Canaltech, empresas de IA como Perplexity, Mistral e Anthropic usam essa API, que extrai conteúdo da web para alimentar modelos de linguagem — sistemas treinados para trabalhar com texto.

Os autores da ação dizem que o impacto sobre a receita dos jornais não se limita a textos para assinantes. O Brave também tem bloqueador de anúncios nativo, que remove publicidade dos sites e pode exibir outros conteúdos no lugar. O navegador tem menos de 1% do mercado global, segundo estimativas da Statcounter citadas pelo Canaltech. Não há dados públicos, porém, para medir quanto conteúdo a API fornece a sistemas de IA.

O que dizem as empresas?

O Brave não comentou publicamente o processo. A Perplexity, cliente da API, acusou o The New York Times de espalhar desinformação, mas não explicou qual informação da ação seria enganosa. A empresa já havia sido processada pelo jornal em 2025, sob acusação de copiar reportagens.

A disputa se insere em uma discussão maior sobre o uso de textos jornalísticos por empresas de tecnologia. Em 2023, a Perplexity processou a OpenAI e a Microsoft, alegando violação de direitos autorais no treinamento de modelos de IA. O processo contra o Brave, por sua vez, reúne acusações distintas: acesso a textos de assinantes, uso de conteúdo por ferramentas de IA e substituição de anúncios. O resultado da ação e a resposta formal do Brave não foram informados.

Por que importa

Para quem lê notícias, a disputa questiona se um navegador pode abrir textos reservados a assinantes e substituir anúncios de sites por outros conteúdos. Para editoras, também coloca sob escrutínio o uso de material jornalístico em ferramentas de IA; ainda não se sabe como a Justiça decidirá nem quanto conteúdo a API fornece.

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