O Itaú Unibanco fechou um acordo para comprar todas as ações da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial, por R$ 2,925 bilhões. A aquisição ainda não foi concluída: depende de condições previstas no contrato e de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central.
Parte do valor será paga quando a operação for concluída. O restante será desembolsado ao longo de cinco anos, sujeito às condições do acordo. O Itaú não informou no fato relevante quanto será pago em cada etapa.
O que a NeoSpace faz?
A NeoSpace desenvolve modelos de IA para identificar padrões e relações em grandes volumes de informações. O Itaú afirma que pretende combinar essa tecnologia com seus próprios dados e conhecimento do setor financeiro para criar modelos especializados. Entre os usos previstos estão análise de crédito, gestão financeira e personalização do relacionamento com clientes.
Segundo o banco, a compra também deve contribuir para a evolução do ia.i, assistente de inteligência artificial generativa que começou a chegar ao aplicativo do Itaú neste ano. O banco já usa IA em ferramentas de investimentos, atendimento e serviços para empresas. A empresa não detalhou quais funções do assistente mudarão com a aquisição.
Uma parceria que já dura quase dois anos
Itaú e NeoSpace já trabalhavam juntos no desenvolvimento de modelos de IA para o banco. Em janeiro de 2025, o Itaú investiu US$ 15 milhões — cerca de R$ 74,5 milhões na conversão informada à época — e ficou com 15% da startup. O aporte fez parte de uma rodada de US$ 18 milhões e veio acompanhado de um acordo comercial.
Mesmo após a conclusão da compra, a NeoSpace deverá continuar operando de maneira autônoma. O CEO, Bruno Pierobon, permanecerá no cargo, e o Itaú diz que pretende manter a equipe e as atividades de pesquisa e desenvolvimento. A mudança de controle, porém, só poderá ocorrer depois das aprovações regulatórias.
Por que importa
Para clientes do Itaú, a compra pode influenciar ferramentas de crédito, atendimento e gestão financeira, áreas em que o banco prevê usar a tecnologia da NeoSpace. Ainda não há detalhes sobre mudanças específicas nos serviços; a aquisição também depende de autorização do Cade e do Banco Central.