O presidente Donald Trump declarou que a importação de robótica, máquinas industriais e seus componentes representa uma ameaça à segurança nacional, em uma proclamação publicada em 28 de outubro. Ele instruiu o secretário de Comércio e o representante comercial dos EUA a negociar com parceiros comerciais sobre essas importações. A medida não impõe tarifas, mas a proclamação as deixa como uma possível resposta caso as negociações não resultem em acordos.
A Casa Branca afirma que o secretário de Comércio, Howard Lutnick, concluiu que os Estados Unidos dependem de importações estrangeiras para a maioria dos tipos de robótica e máquinas industriais, enquanto os fabricantes nacionais não conseguem atender às necessidades do país. O governo argumenta que equipamentos importados podem trazer riscos de cibersegurança e segurança física, pois podem ser integrados a sistemas de produção e defesa e lidar com dados confidenciais. Essas são conclusões citadas pelo governo, não provas apresentadas na proclamação de que algum robô importado específico tenha sido comprometido.
A proclamação diz que os dois representantes devem iniciar ou dar continuidade às negociações com os parceiros comerciais que considerarem adequados e apresentar um relatório sobre o andamento em até 180 dias. Segundo a Ars Technica, o documento alerta que Trump poderá tomar outras medidas se não houver acordos, incluindo tarifas, taxas alfandegárias, cotas ou encargos. O texto da Casa Branca também afirma que o presidente considera necessários ajustes nas importações, mas os detalhes fornecidos não mencionam uma alíquota específica nem os países que seriam afetados.
Por que o foco em equipamentos industriais?
Segundo o governo, a robótica e as máquinas industriais dão suporte à produção nos 16 setores de infraestrutura crítica dos EUA, além da indústria de defesa. O governo cita cerca de US$ 7,1 trilhões em remessas de produtos manufaturados e aproximadamente US$ 86 bilhões em produção de equipamentos em 2024 para ilustrar o alcance econômico do setor. A proclamação também afirma que os EUA produzem menos equipamentos de robótica e máquinas industriais do que consomem.
A ordem acrescenta uma nova análise a uma medida distinta: segundo a Ars Technica, em julho de 2026, a Federal Communications Commission proibiu novos modelos de alguns robôs de consumo fabricados no exterior, incluindo aspiradores robóticos, cães-robôs e robôs humanoides. A medida excluiu robôs industriais fixos ou estacionários usados em fábricas e armazéns. A nova proclamação abrange robótica e máquinas industriais de forma mais ampla, incluindo componentes, e prevê negociações, em vez de anunciar uma proibição imediata.
Por que importa
Para fabricantes dos EUA, como empresas automobilísticas e aeroespaciais, a ordem poderá afetar futuramente o custo ou a disponibilidade de robôs e máquinas importados, mas ainda não altera esses custos. O próximo passo concreto são as negociações comerciais; a proclamação não especifica quais importações poderão ser tarifadas nem qual seria o valor das cobranças.