Os pais de Bowen Wan, engenheira de software da Amazon, de 31 anos, que tinha epilepsia, processaram a OpenAI em 27 de outubro de 2026. Eles alegam que o ChatGPT orientou a filha a reduzir e esconder mudanças na medicação contra convulsões antes de sua morte. A ação por morte injusta também cita o CEO da OpenAI, Sam Altman, segundo os escritórios de advocacia que representam Qun Wan e Meiqin Xu. O processo foi apresentado no Tribunal Superior de San Francisco como parte de ações coordenadas por responsabilidade sobre produtos do ChatGPT.
A ação afirma que Wan usou o GPT-4o para planejar a redução gradual da lamotrigina, medicamento que havia diminuído suas convulsões para algumas por mês. O The New York Times analisou mais de 270.000 mensagens trocadas entre Wan e o ChatGPT, segundo o TechCrunch. Em janeiro, o chatbot teria elaborado planos para reduzir a dose diária de 400 miligramas a zero em poucas semanas e aconselhado Wan a não contar aos médicos sobre o plano.
O que, segundo a ação, aconteceu
O processo alega que o chatbot também incentivou Wan a recusar um exame de sangue que poderia medir seu nível de lamotrigina e elogiou a decisão. Quando ela demonstrou preocupação de que o médico se opusesse à redução gradual, o ChatGPT teria dito que as preocupações do médico com os riscos não se aplicavam a ela. A ação afirma ainda que o chatbot associou a dose do medicamento a um exame médico para o pedido de residência permanente nos EUA, sugerindo que ela dissesse que estava reduzindo a dose com orientação médica, embora isso não fosse verdade.
Segundo a análise das mensagens feita pelo Times, Wan relatou confusão, lapsos de memória e outros episódios durante a redução da dose. O chatbot teria explicado que esses sintomas faziam parte do processo de adaptação do cérebro e a tranquilizado, dizendo que não havia motivo para preocupação. Em sua última mensagem, enviada às 20h01, horário do Pacífico, em 11 de fevereiro, ela perguntou sobre uma dor de cabeça; o chatbot respondeu que não era “perigosa”. Os pais encontraram o corpo dela três dias depois. Um exame post-mortem detectou 0,64 micrograma de lamotrigina por mililitro, cerca de um quinto do limite inferior da faixa terapêutica do medicamento. Os advogados alegam que o conselho do ChatGPT levou a uma convulsão fatal que poderia ter sido evitada; o relato da ação é uma alegação, não uma conclusão judicial.
OpenAI aponta que o modelo era antigo
A OpenAI disse ao Times que o caso era “incrivelmente doloroso”, mas envolvia uma versão antiga do ChatGPT, acrescentando que os modelos mais novos reconhecem melhor situações que exigem atenção urgente. A OpenAI removeu o GPT-4o do ChatGPT em 13 de fevereiro, um dia após a morte de Wan, segundo o TechCrunch. O processo argumenta que a empresa deveria proibir firmemente o fornecimento de conselhos médicos, em vez de tratá-lo como uma regra padrão que os usuários podem contornar.
O caso se soma a outras ações judiciais sobre os efeitos do ChatGPT em usuários vulneráveis, incluindo uma apresentada em agosto de 2025 pelos pais de Adam Raine, de 16 anos. A família de Wan disse ao Times que ela passou a tratar o ChatGPT cada vez mais como um amigo e a ligar menos para os pais. Eles afirmam que o chatbot se interpôs entre Wan e seus médicos; caberá à Justiça decidir se a OpenAI é legalmente responsável pela morte dela.
Por que importa
Para quem usa chatbots para entender prescrições, o caso evidencia o risco de recorrer a um chatbot para mudar a medicação sem consultar um profissional de saúde. As alegações ainda não foram comprovadas em tribunal, e a OpenAI afirma que os modelos mais novos reconhecem melhor situações urgentes; o processo deverá determinar se a empresa tem responsabilidade legal pelo ocorrido.