A polícia está recorrendo cada vez mais à inteligência artificial e a dados de leitores automáticos de placas para justificar abordagens de trânsito, segundo um relatório da American Civil Liberties Union. A ACLU afirma que esses sistemas podem sinalizar motoristas porque seu histórico de viagens parece “suspeito”, mesmo quando a polícia não tem provas de que tenham feito algo errado. O relatório alerta que esses sistemas de vigilância podem atingir mais pessoas inocentes do que infratores.
Jay Stanley, analista sênior de políticas do Projeto de Liberdade de Expressão, Privacidade e Tecnologia da ACLU, afirma que a polícia usa sinalizações algorítmicas e dados de vigilância de placas como base para abordar motoristas. Os leitores automáticos de placas, ou ALPRs, registram as placas dos veículos e podem ajudar a criar um histórico dos lugares por onde eles passaram. A preocupação apontada pela ACLU é que esses registros sejam tratados como motivo para suspeita, e não como prova de uma infração específica.
O que o relatório não esclarece
O relato não identifica quais departamentos de polícia ou sistemas de IA estão envolvidos, como os algoritmos decidem que um histórico de viagens é suspeito nem quantas abordagens ocorreram. Também não dá exemplos de rotas ou padrões de deslocamento que tenham gerado uma sinalização. Esses detalhes são importantes: sem eles, os leitores não conseguem saber com que frequência isso acontece nem como um motorista poderia contestar uma abordagem baseada em uma decisão algorítmica.
Portanto, a afirmação é um alerta sobre o uso policial de dados de vigilância, e não uma contagem nacional aferida de abordagens motivadas por IA. Para os motoristas, a preocupação concreta é que uma abordagem possa decorrer da interpretação de viagens passadas, e não de uma infração de trânsito observada ou de outra prova de irregularidade. O relato disponível não permite determinar o quanto essa prática está disseminada nem quais salvaguardas a polícia adota para verificar uma sinalização antes de agir.
Por que importa
Segundo a ACLU, motoristas podem ser abordados porque a polícia considera suspeito seu histórico de viagens, mesmo sem provas de irregularidades. O relato disponível não informa com que frequência essas abordagens acontecem nem quais salvaguardas estão em vigor.