A Huawei está pedindo que alguns clientes encontrem por conta própria a memória para seus chips de IA, enquanto a escassez dificulta o fornecimento desses componentes. Segundo o Decoder, que cita o The Information, os fornecedores chineses da empresa não conseguem produzir memória de alta largura de banda, ou HBM — um tipo de memória usado para transferir dados rapidamente em sistemas de IA.
A escassez está ligada tanto às restrições de exportação quanto à oferta local limitada. As regras dos EUA impedem a compra direta de HBM da Samsung e da SK Hynix, que, juntas, detêm mais de 80% do mercado global. A Huawei planeja lançar o Ascend 960DT no início de 2027. A empresa afirma que o chip terá o dobro do desempenho de seus chips atuais; a reportagem não apresenta testes independentes que comprovem essa afirmação.
Como funcionam as alternativas
Uma rota de contrabando descrita na reportagem consiste em embalar HBM junto com processadores de servidor de baixo custo, que ficam abaixo do limite de exportação. Os pacotes são enviados à China via Hong Kong, onde oficinas retiram a memória dos processadores. O processo de separação é delicado e tem uma alta taxa de falhas, mas os lucros relatados tornaram a operação vantajosa para os contrabandistas.
Um intermediário de Shenzhen disse ao The Information que a memória HBM3E contrabandeada agora custa cerca de US$ 4.000 por unidade, ante algumas centenas de dólares um ano antes. Cada chip de IA precisa de seis a oito unidades, o que pode elevar a conta da memória, sozinha, a US$ 32.000 por chip. Esses valores se referem ao mercado de contrabando relatado, não a um preço padrão disponível para todos os clientes da Huawei.
Outras fontes ajudam a abastecer o mercado
O mercado informal também inclui processadores gráficos antigos da Nvidia desmontados para a retirada de componentes e estoques excedentes de fabricantes de chips que cancelaram projetos ou reduziram pedidos. Até maio, a autoridade alfandegária da Coreia do Sul havia identificado violações comerciais no valor de US$ 560 milhões, acima do recorde registrado em um ano inteiro. Um terço do total envolvia bens estratégicos, incluindo chips exportados sem a autorização adequada ou com declarações falsas.
Os dados mostram como controles de exportação e escassez podem criar rotas caras à margem dos canais normais de compra. Mas a reportagem não informa quantos clientes da Huawei receberam o pedido de encontrar a própria memória nem quanto conseguiram obter dessa forma.
Por que importa
Para empresas que compram chips de IA da Huawei, ter de buscar a memória por conta própria pode significar custos mais altos e um abastecimento menos confiável; segundo a reportagem, a HBM contrabandeada pode custar até US$ 32.000 por chip. Ainda não está claro quantos clientes enfrentam essa situação nem se conseguirão obter a memória necessária.